“O lugar dele é onde ele se sente feliz”, disse mãe de menino autista

Publicado em: 27 de agosto de 2020

As dificuldades que pessoas com deficiências especiais enfrentam não são novidades para ninguém. O que muitos não fazem ideia é o quanto essa condição as torna pessoas únicas e admiráveis.

Durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, os debates sobre ações de inclusão social e combate à discriminação de pessoas com deficiência se intensificam. O objetivo da campanha é colocar em destaque as barreiras que esses indivíduos enfrentam todos os dias e buscar de alguma forma destruí-las.

O CAEE – Centro de Atendimento Educacional Especializado – Esperandio Catto, localizado em Fontoura Xavier, presta atendimento direcionado à crianças e jovens com diversos tipos de deficiência intelectual e múltipla, auxiliando no desenvolvimento e na formação desses indivíduos. O estímulo precoce das suas capacidades torna-os capazes de superar com mais facilidade as suas limitações, proporcionando-os assim, mais qualidade de vida e maior possibilidade de inserção no meio social.

A diretora do CAEE Esperandio Catto, Ivete dos Santos, destaca que as crianças se sentem acolhidas no ambiente que é preparado especialmente para elas. “Conviver com essas crianças todos os dias é muito gratificante. Elas têm o amor mais puro e sincero do mundo”, disse.

Uma das professoras do Centro de Atendimento Educacional Especializado, Márcia dos Santos, conhece verdadeiramente a realidade de pessoas portadoras de deficiência intelectual. Isso, porque além de trabalhar todos os dias com algumas delas, Márcia também é mãe de um menino diagnosticado com Transtorno do Espetro Autista (TEA). O autismo é um transtorno de desenvolvimento caracterizado pela dificuldade de comunicação e interação social.

Vinícius, filho de Marcia, tem 14 anos e foi diagnosticado ainda na infância com TEA, no nível moderado. Ao longo dos anos, Vinicíus pode contar com o amor incondicional de sua mãe, que fez o possível e o impossível pela sua felicidade. “No início foi um impacto muito grande em nossas vidas. Teve um momento em que me questionei se iria atrás do meu sonho, ser advogada, ou iria ajudar o meu filho. Foi aí que eu decidi usar todas as minhas forças para ser a melhor mãe que o Vinícius poderia ter”, disse Márcia.

Sonhar com o bem-estar do filho fez com que ela percebesse que precisava conhecer mais sobre o autismo, para que pudesse ajudá-lo. Ao longo de anos, se dedicou incansavelmente a buscar mais discernimento sobre o assunto. O autismo, fez com que ela descobrisse um dom especial. Márcia fez cursos de especialização em neuropsicopedagogia e neurociência e está prestes a se formar em Licenciatura em Educação Especial. “Eu acredito no potencial dessas crianças. O segredo é o amor, depois disso vem a paciência. Respeitar o momento e o espaço deles é essencial”, afirmou.

Como mãe de um menino autista, Márcia sempre fez questão de que Vinicius frequentasse a escola e os lugares públicos. “Vinícius e eu já sofremos muito com preconceito das pessoas, mas aprendi a não ligar para isso. O que importa para mim é a felicidade do meu filho. Aonde ele quiser estar, ele vai estar. O lugar dele é onde ele se sente feliz”, afirmou.

O dia a dia do Vinícius é publicado na sua página no facebook, “O mundo do Vini”, que foi criada para compartilhar com as pessoas a rotina e a personalidade encantadora do menino que supera novos desafios todos os dias. Márcia destaca, que essa também é uma maneira de ajudar pais e mães, que têm dificuldade de lidar com os obstáculos diários que uma família com autista enfrenta.

A incompreensão e a falta de conhecimento das pessoas, estão entre os principais problemas que os portadores de deficiência intelectual e múltipla enfrentam. Isso faz com que muitas vezes, mesmo que inconscientemente, a sociedade discrimine e exclua esses indivíduos do convívio social.  “Aqui é uma cidade muito acolhedora, mas falta mais pessoas capacitadas para lidar com as especialidades dessas pessoas. O respeito e a inclusão social ainda estão muito distantes, porque as pessoas ainda não despertaram em si o amor necessário para acolher eles de verdade. Desejo que a sociedade seja tocada de alguma maneira e que algum dia esse seja um mundo melhor para eles”, finalizou Márcia.

Escrito por: Ellen Silveira / Clic News

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