“Por que falhamos?” – Por Iduarez Cassio da Veiga

Embora muitos ainda insistam em dizer que “somos apenas seres humanos”, ao pensar dessa forma, precisamos ter muito cuidado, pois isso não pode ser uma garantia para nossos erros, muito menos uma permissão para a mediocridade. Ao tentar justificar uma falha dizendo que somos “apenas seres humanos”, apequenamos a própria existência. Como nos lembra Mário Sérgio Cortella, ao citar Benjamin Disraeli: “A vida é muito curta para ser pequena”.

Aceitar o fato de continuar na mediocridade ou aceitar o possível, em vez de buscar o melhor, é abrir mão da nossa dignidade. Falhar faz parte da nossa caminhada, mas o que não pode acontecer é ficarmos parados, cada vez que nos deparamos com um obstáculo no caminho.

Talvez seja necessário compreender que a vida não se resume no que já foi concluído. Um modo de mudar essa perspectiva seria pararmos de reviver acontecimentos passados, deixando de lado o particípio e abraçando o gerúndio. Viver sob a ótica do particípio é dar-se por encerrado, concluído; aceitar a falha com uma conclusão final. Por outro lado, abraçar o gerúndio é compreender que não somos seres prontos, mas sim que estamos em constante transformação, aprendendo com cada erro e com cada falha.

Portanto, rejeitar a mediocridade é um ato de coragem; e lembrar que o erro não define a pessoa é um modo de continuarmos evoluindo, desde que estejamos dispostos a aprender com as falhas. Afinal de contas, não falhamos por ser humanos; falhamos quando desistimos de exercer a humanidade em sua plenitude, aquela que falha, aprende e recusa-se a ser morna.

 

Iduarez Cassio da Veiga

Policial Militar e Criminólogo

Pós-graduado em Psicanálise e

Neurociência da Aprendizagem

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