Além do Turno

Muitas vezes, cuidamos da nossa lavoura, da nossa casa e da manutenção do nosso carro, mas esquecemos da engrenagem que comanda tudo isso: aquilo que Sigmund Freud chamou de aparelho psíquico, ou seja, nossa mente.

​Zelamos pelo que é visível aos nossos olhos, mas deixamos de lado a estrutura invisível que é o alicerce de todo o ser. É no final de um dia exaustivo que percebemos que o cansaço não é apenas muscular; de nada adianta o nosso entorno estar organizado se nossa mente opera em um ruído profundo, um barulho que o silêncio de casa não consegue aplacar.

​Se precisamos de tempo para planejar a colheita ou pintar a parede, também precisamos dedicar um tempo para “reformar” nossa mente. Para isso, é necessário fazer uma pausa; isso exige uma escuta atenta, um olhar que suporte o que não está dito. Caso contrário, se não pararmos para esse respiro, acabaremos travando junto com a máquina.

​Não se trata de esquecer quem somos ou a importância do que fazemos, mas compreender a necessidade de deixar a “persona” do lado de fora. Um exemplo disso é, ao chegar em casa, conseguir se desligar dos grupos de celular que só falam de problemas e ocorrências do serviço. Também precisamos parar de remoer o que aconteceu no turno, para que o descanso seja, de fato, um recomeço.

​Portanto, cuidar da mente é uma questão de sobrevivência. Se somos capazes de dedicar tempo para à realização das tarefas, também precisamos dedicar tempo para zelar pelo nosso equilíbrio interno. Que o final de cada turno seja o momento de silenciar o barulho externo e, no conforto do nosso lar, reencontrar forças para um novo início a cada dia. Afinal, como bem escreveu o poeta romano Décimo Júnio Juvenal: mens sana in corpore sano.

Iduarez Cassio da Veiga

Policial Militar e Criminólogo

Pós-graduado em Psicanálise e

Neurociência da Aprendizagem

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